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Ensinamentos sobre a misericórdia em Lucas

22 de março de 2015

“Um bom educador aponta para o essencial. Não se perde nos detalhes, mas quer transmitir aquilo que realmente conta para que o filho ou aluno encontre o sentido e a alegria de viver. É a verdade. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia. O essencial do Evangelho é a misericórdia. Deus enviou o seu Filho, Deus se fez homem para nos salvar, isso é, para nos dar a sua misericórdia. Jesus diz isso claramente, resumindo o seu ensinamento para os discípulos: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36). (Catequese do Papa Francisco, Praça São Pedro - Vaticano. Quarta-feira, 10 de agosto de 2014)
Jesus age com misericórdia e ensina a fazer o mesmo. Daí vem sua autoridade. Ele é o Mestre que fala com autoridade; suas ações mostram que sua palavra é verdadeira (cf. Lc 4,32). Vejamos duas cenas que revelam esse ensinamento sobre a misericórdia.
Amar os inimigos (Lc 6,27-38): Nesta perícope, Jesus tem como destinatários os discípulos. Ele ensina uma exigência fundamental qual é o amor incondicional e total, isto é, o verdadeiro amor ao próximo, cujo modelo é o Pai. Na Lei, encontrava-se a ordem de amar o próximo, entretanto esta era apenas para “o filho do teu povo” (cf. Lv 19,18); daí a limitação de tal preceito. Ora, Jesus vai além dessa limitação, exaltando a misericórdia, ao propor que o amor seja estendido até aos inimigos. Quem conseguir amar os inimigos obterá a recompensa de ser filho do Altíssimo, ou seja, quem agir com a mesma misericórdia de Deus deixará claro ao mundo que é seu filho de fato.
Repartir o pão (Lc 9,12-17): A partilha dos pães é um relato pós-pascal muito curioso. Lucas, preocupado com o pão da palavra que deve chegar até os confins do mundo, mostra Jesus dando uma ordem aos discípulos: “Dai-lhe vós mesmos de comer” (Lc 9,13a); ou seja, em nome da misericórdia que ele distribui e ensina não pode haver necessitados. A todos deve ser dada a palavra que salva: Jesus mesmo.
Para relatar este episódio, Lucas tem em consideração a primeira multiplicação dos pães narrada por Marcos (cf. Mc 6,34-44), presente com alguma diferença em Mateus (cf. Mt 14,14-21). O gesto de Jesus, narrado pelo evangelista, baseia-se em relatos passados (cf. Êx 16,8.12-13; 2Rs 4,42-44). Lucas conhece estas referências presentes na tradição judaica e não é improvável que, na sua comunidade, tenha pessoas de origem judaizantes que também conheçam esses textos.
Mal os discípulos voltaram da missão e, no ajuntamento da multidão em torno de Jesus, eles se vêem com a tarefa de repartir o pão. A solução para o problema da multidão faminta oferecido pelos Doze não agrada Jesus (despedi-los para ir procurar comida nas aldeias vizinhas; cf. v.12). Jesus encarrega diretamente a eles de continuarem a cooperar em favor da multidão que está faminta (v.13a: “Dai-lhe vós mesmos de comer”). O que eles têm parece muito pouco (v.13b). Jesus mostra que, mesmo na indigência da comunidade, a misericórdia não pode faltar: que repartam o pouco que têm. E todos comeram e ficaram saciados, sobrando ainda doze cestos (v.17).
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