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As paixões são naturais Um comentário ao 5º Sermão de Santo Antônio Maria Zaccaria

30 de março de 2016



Caros visitantes do blog, espero que vocês não se tenham assustado diante da naturalidade com que Santo Antônio Maria Zaccaria trata de um assunto que, de certa forma, ainda é um tabu na Igreja: as paixões humanas. É exatamente sobre as paixões que nosso santo discorreu num de seus sermões que, infelizmente, não chegou inteiro até nós. Mesmo incompleto, o 5º Sermão é de uma riqueza incomparável, Vejamos:

Santo Antônio Maria afirma que não é possível viver sem nenhuma paixão. Elas são naturais e foram colocadas em nós pelo próprio Deus, portanto, são boas e ninguém pode dizer que Deus faça alguma coisa que seja ruim e prejudicial para nós.

As paixões (impulsos, instintos, emoções, sentimentos, desejos), segundo o santo, têm um componente importante, que ele chama de primeiras reações. Primeiras reações são reações instintivas de uma pessoa, de acordo com as situações que a afetam, tanto de maneira negativa, quanto de maneira positiva. Dou dois exemplos: Quem, por mais controlado que seja, não fica com vontade de “torcer o pescoço” do outro que o ofendeu? Ficamos com raiva, surgem pensamentos de vingança, ficamos nervosos, tristes e, muitas vezes, reagimos com a mesma intensidade. Diante de um gol do time do coração, vibrar é normal e instintivo. Começamos a gritar, a pular, a abraçar até o desconhecido que está do nosso lado. É uma alegria só!

Santo Antônio Maria afirma que ninguém pode ser condenado, nem elogiado, por causa de suas primeiras reações, pois elas não dependem do nosso querer, pois são fruto dos nossos instintos naturais.

Mas aí vem o mais importante: não podemos viver irresponsavelmente, levados pra lá e pra cá pelas nossas paixões. Homens e mulheres têm um dom muito especial, concedido por Deus a todos os seus filhos e filhas: a liberdade. Livremente, eu posso decidir se faço o bem ou o mal, conforme quiser. Por isso, se eu cuidar, de forma integral, da minha pessoa, não ficarei isento das paixões, mas saberei o que fazer com elas: assumir de maneira coerente as boas e oportunamente transformá-las em ação, afastar as más, ser capaz de transformar uma paixão negativa em positiva, saber distinguir numa paixão, o que pode ser útil e o que pode ser nocivo. Enfim, ser uma pessoa que sabe lidar com todas as situações da vida. Se você não der conta sozinho, não tenha medo ou vergonha de pedir ajuda a outra pessoa que realmente o possa ajudar.

Outro aspecto interessante do 5º Sermão são os exemplos das emoções de Jesus diante de tantas situações humanas com que se deparou. É até um ótimo exercício retomar a leitura do sermão e, pesquisar as citações, para percebermos que Jesus foi e é um grande apaixonado pela humanidade. Se assim não fosse, não teria chegado à sua Paixão e Morte na Cruz, em que revelou seu amor sem limites por todos nós. Todos os santos e santas de Deus foram apaixonados por uma causa. Santo Antônio Maria Zaccaria foi um apaixonado por Cristo e pelo próximo. Sua conhecidíssima frase “Corramos como loucos não só para Deus, mas também para o próximo...” (2ª Carta), diz tudo. Só resta a nós também sermos esse povo de “malucos beleza”, que não mede esforços para tornar a vida de todos muito melhor. Se eu não tiver verdadeira paixão por Cristo e pelo próximo, não vou nunca sair do lugar, melhor dizendo, de cima do muro e viverei eternamente na negligência e na indecisão (Carta 2).

Termino lembrando dois provérbios populares que têm tudo a ver com os dizeres de Santo Antônio Maria Zaccaria nesse sermão. São eles: “Há males que vêem pra bem” e “Errar é humano; perseverar no erro é diabólico”. Mais uma outra coisa: Meu pai dizia assim: “Vamos devagar, porque nós estamos com pressa!”

Um grande abraço a todos e até a próxima, se Deus quiser.




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