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Caminhos de Pedro e Paulo

23 de junho de 2015

A Igreja de Cristo é necessariamente apostólica. Jesus quis escolher homens, que ele formou para segui-lo e serem base de sustentação para sua Grei. Ele não veio fundar uma religião humana a mais e sim chamar a humanidade a seguir seu caminho, como sua família. Quem aceitar e crer terá parte em seu Reino aqui na terra e depois na eternidade. As religiões instituídas pelos seres humanos não têm o poder de nos dar a eternidade feliz com Deus. Só o Salvador mostrou ter o poder, através de sua ressurreição, a ponto de nos dar certeza de que isso só é possível para quem colocar em prática seu amor. Sua Igreja é instrumento eficaz para nos dar meios para tanto. Jesus mesmo falou sobre a necessidade de ouvir os Apóstolos. É o mesmo que ouvir a Ele. Quem não quiser ouvi-los também não O ouve.
A Igreja do Filho de Deus tem os Apóstolos como suas colunas imprescindíveis. Aliás, o ensinamento deles é de suma importância para seguirmos a Jesus. Quem não O conhece é salvo por Ele se, em consciência, praticar o que sabe a respeito do que é bom. Mesmo se uma pessoa fizer os ritos de uma religião, mas não praticar o bem conhecido por sua consciência, não está realizando o projeto do Criador. Os ritos são importantes, mas condicionados à prática da fé. Jesus não manda tirar a vida de ninguém. Ao contrário, Ele dá sua vida e nos ensina a importância de dar de nós para, em primeiro lugar, os que a têm precariamente. Só tem mérito diante dele quem mais der de si pelo bem do semelhante. Na sua Igreja Ele deixou meios muito importantes para nos ajudar, como sua Palavra, os Sacramentos, e, principalmente, a convivência no amor.
É essencial ser discípulo do Mestre. Pedro demonstrou isso na vida. Depois de ter negado a Jesus ele se converteu e tornou-se o chefe da Sua Igreja. Não à toa o Senhor lhe disse por três vezes em seguida: “Apascenta as minhas ovelhas”. Esse grande Apóstolo seguiu o caminho do Filho de Deus. Foi até crucificado, mas de cabeça para baixo. A Igreja não sucumbiu com seu martírio. Seu Fundador prometera que não a deixaria acabar. Pelo contrário, quanto mais perseguida torna-se mais pujante. Ela não é simplesmente um arrebanhamento de pessoas, mas uma luz para a humanidade perceber que vale a pena ser obediente aos valores da vida, da dignidade humana, da ética, da moral, do respeito aos mais fragilizados da sociedade, da misericórdia, do perdão, da solidariedade, da justiça e da paz. Tudo isso Pedro foi ensinando do que aprendeu de Jesus.
Paulo, com sua conversão, tornou-se o grande missionário de Jesus. Através de sua vida completamente devotada a Cristo, não poupou esforços para fazer o Senhor conhecido e seguido. Deu a vida por Ele. Foi também martirizado por defender a nova ordem de vida trazida pelo Filho de Deus. Como Pedro nos dá a segurança da unidade da Igreja, Paulo nos dá o grande estímulo e ardor missionário.
Seguindo esses Apóstolos, também nos tornamos pessoas apaixonadas por Cristo, seguindo-O e ensinando os outros a fazer o mesmo. Não se trata de fazermos proselitismo com método de arrebanhamento por pressão psicológica ou moral e sim de anunciarmos o caminho de vida de sentido. O que vale mais é a qualidade do amor, da ética e da moral da pessoa. O Papa Francisco nos lembra no documento “Alegria do Evangelho”, que não se trata de arrebanhar pessoas pelo proselitismo e sim pelo atrativo (Cf. n.o 14). O Concílio Vaticano II, concluído há 50 anos, apresenta-nos a necessidade de sermos Igreja de verdadeira luz para a humanidade, mostrando o caminho da verdade, do bem e da justiça, para implantarmos verdadeira cidadania terrestre, em vista de um futuro eterno feliz.

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

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