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Solenidade de Pentecostes

19 de maio de 2013


Queridos irmãos e irmãs, saudações no Cristo Vivente!
Com a Solenidade de Pentecostes concluímos mais um tempo singular na vida da Igreja que é o Tempo da Páscoa. Acompanhamos na liturgia, ao longo destas sete semanas, a ressurreição do Senhor, sua manifestação, todo o processo paulatino de reconhecimento do mestre por parte dos seus discípulos, sua ascensão, a promessa e descida do Espírito Santo.
Pentecostes vem do grego e significa simplesmente cinquenta. Agora dentro do simbolismo numérico bíblico significa a plenitude da perfeição (7 x 7 + 1= 50).O número 1 simboliza o domingo onde Deus recria a humanidade por meio do seu Filho Ressuscitado.
O único autor sagrado do Novo Testamento a narrar o evento de Pentecostes é Lucas em seu II Volume, Atos dos Apóstolos. Lucas na verdade narra cinco Pentecostes, ou seja, dentro de quadros narrativos sublinha as vindas do Espírito Santo em diferentes momentos da vida da comunidade cristã para ensinar que sempre que vem o Espírito é Pentecostes.
Vale resaltar que o livro dos Atos não pretende ser simplesmente uma reportagem de acontecimentos históricos, mas sim ajudar os cristãos a redescobrir o seu papel e a tomar consciência do compromisso que assumiram no dia do seu Batismo. 
Tomaremos assim At 2,1-11
No que diz respeito ao texto que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, não existem dúvidas de que é uma construção criada por Lucas com uma clara intenção teológica-antropológica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética das metáforas. Resta agora descodificar os símbolos para se chegar à interpelação essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, nos deixa. Uma interpretação literal deste relato seria uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; faria apenas reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. Ora, o interesse fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito Santo e que é chamada a testemunhar aos homens o plano libertador do Pai.
Antes de mais nada, Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no séc. I, tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Ao situar neste dia o dom do Espírito, Lucas ensina que o Espírito é a lei da nova aliança (pois é ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos cristãos) e que, por ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo.
Vem depois a narrativa da manifestação do Espírito (At 2,2-4). O Espírito é apresentado como a força de Deus, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus. Estes símbolos evocam a força irresistível de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus.
O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de línguas de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços entre as pessoas. Falar outras línguas é criar relações. Aqui, temos o reverso de Babel. Lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade e o entendimento.
Dessa forma, o mistério de Pentecostes está sempre atuando! Está nos sinais sacramentais e na missão da Igreja. É o Espírito que nos dá a fé e nos faz confessar que Jesus é o Senhor! É o Espírito que nos congrega e nos faz comunidade suscitando múltiplos carismas, serviços e ministérios sempre a serviço de anunciar o Evangelho a toda criatura.
Por: André Carlos M. Carvalho, religioso barnabita.
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