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III Domingo do Advento

13 de dezembro de 2010

Queridos irmãos e irmãs,
         Saudações no Cristo que vem!

A liturgia deste domingo nos recorda a proximidade da intervenção libertadora de Deus na história e acende a esperança no coração dos homens. Diz-nos: “não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está chegandor”.
    O evangelho nos descreve, de forma bem sugestiva, a ação de Jesus, o Messias (esse mesmo que esperamos neste Advento): Ele irá dar vista aos cegos, fazer com que os coxos recuperem o movimento, curar os leprosos, fazer com que os surdos ouçam, ressuscitar os mortos, anunciar aos pobres que o “Reino” da justiça e da paz chegou.O nosso texto se divide em duas partes. Na primeira, Jesus responde à pergunta de João e dá a entender que Ele é o Messias (vs. 2-6); na segunda, temos a apreciação que o próprio Jesus faz da figura e da ação profética de João (vs. 7-11).
    Jesus tem consciência de ser o Messias? A resposta é obviamente positiva; Jesus recorre a um conjunto de citações de Isaías que definem, na perspectiva dos profetas, a ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos, curar os surdos, dar vista aos cegos, dar liberdade de movimentos aos coxos), anunciar a Boa Nova aos pobres Ora, se Jesus realizou estas obras é porque Ele é o Messias, enviado por Deus para libertar os homens e para lhes trazer o “Reino”. A sua mensagem e os seus gestos contêm uma proposta libertadora que Deus faz aos homens.
    Na segunda parte, temos a declaração de Jesus sobre o Batista. Mateus utiliza um recurso retórico muito conhecido: uma série de perguntas que convidam os ouvintes a dar uma resposta concreta. A resposta às duas primeiras questões é, evidentemente, negativa: João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, nem um elegante convencido que vive no luxo. A resposta à terceira é positiva: João é um profeta e mais do que um profeta. A declaração, que começa com uma referência à Escritura pretende clarificar qual a relação entre ambos e o lugar de João no “Reino”: João é o precursor do Messias; é “Elias”, aquele que tinha de vir antes, a fim de preparar o caminho para o Messias.
    O nosso evangelho identifica Jesus com a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens, o Emanuel.
Neste tempo de espera, somos convidados a aguardar a sua chegada, com a certeza de que Deus não nos abandonou, mas continua a vir ao nosso encontro e a nos oferecer a salvação.
    Os “sinais” que Jesus realizou enquanto esteve entre nós têm de continuar a acontecer na história. Isso é o sentido do cristianismo. Agora, são os discípulos de Jesus que têm de continuar a sua missão e de perpetuar no mundo, em nome de Jesus, a ação libertadora de Deus. Os que vivem amarrados ao desespero de uma doença incurável encontram em nós um sinal vivo do Cristo libertador que lhes traz a salvação? Os “surdos”, fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus que os desperta para a comunhão e para o amor? Os “cegos”, encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência, encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz? Os “coxos”, privados de movimento e de liberdade, escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra, encontram em nós a Boa Nova da liberdade? Os “pobres”, marginalizados, sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
    Mais uma vez, somos interpelados e questionados pela figura vertical e coerente de João. Ele não é um pregador da moda, cujas ideias variam conforme as flutuações da opinião pública ou os interesses dos poderosos; nem é um charlatão bem vestido, que prega apara ganhar dinheiro, para defender os seus interesses, ou para ter uma vida cómoda e sem grandes exigências. Mas é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la, com fidelidade e sem medo. A minha vida e o meu testemunho profético se cumprem com a mesma verticalidade e honestidade, ou estou disposto e me vender a interesses menos próprios, se isso me trouxer benefícios?
    Aos homens que reconhecem a sua fragilidade, Deus manifesta o seu poder. Não é frequente reconhecermos os nossos desvios, os nossos erros, a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade. Porém, isso seria reconhecer simplesmente a nossa humanidade. Os pais não se desonram ao reconhecer diante dos seus filhos que se enganaram. A Igreja não se rebaixa ao reconhecer os seus erros do passado; ao contrário, se eleva. Os cristãos não se entristecem ao reconhecer o seu pecado; ao contrário, dão a Deus a alegria de os perdoar.
    Assim deixemos Deus manifestar o seu poder nos concedendo o seu perdão! Basta que nos reconheçamos frágeis. E então a nossa fragilidade mudará em força. De frágeis tornaremos fortes, fortes de ser amados.
Que Deus nos abençõe por intercessão de Santo Antonia Maria Zaccaria!

 Postado  :André Carlos Morais Carvalho – Aspirante Barnabita



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