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Tempo de Advento

27 de novembro de 2016

Jesus quer nascer entre nós. Precisamos ficar atentos. Vigiar. Desta maneira começa este Tempo Litúrgico do Advento, para nos alertar. O texto do Evangelho de Mateus 24, 37-44 nos apresenta o preço do futuro que estamos pagando desde o dia de hoje.
Muitas vezes, cometemos o grande equívoco existencial de interpretar os textos e projetá-los para o fim do mundo. Dessa forma, ficamos tranquilos, porque nenhum de nós, provavelmente, assistirá esse fim, a menos que algum Império tenha uma loucura e faça explodir as bombas atômicas. Então morreremos todos, enquanto Noé constrói a arca da salvação. Portanto, temos a morte guardada em grandes arsenais atômicos. É algo para se pensar quando formos dormir à noite. Mas na inocência e ignorância em que vivemos, jogamos o fim do mundo realmente para um fim distante, e assim continuamos caminhando com a maior tranquilidade, pois nada tem a ver conosco. Pode morrer milhares de pessoas.
Jesus está anunciando a proximidade do Reino, não está falando do fim do mundo: ficai atentos e preparados! Ele não está falando de catástrofe, nem um novo dilúvio, não está profetizando guerras, nem mortes. No Evangelho, Jesus fala da história humana, do poder que nós temos, seres humanos, temos de nós matar.
No mundo de hoje, quem gosta de ler, se informar do que está acontecendo, entenderá bem essa linguagem, que chamamos de apocalíptica; ela não anuncia o fim, mas fala do fim que estamos colocando já, aqui e agora. Este é o problema: estamos semeando morte e não nos damos conta disso. Criamos circunstâncias e elementos que são causa de nossa própria destruição. Um exemplo: de tempos em tempos, lemos a noticia nos jornais que o Brasil subiu na escala mundial por ter aumentado sua produção. Ficamos felizes, mas não percebemos que, quando crescemos em algo, pagamos um preço alto, porque subimos à custa de alguma coisa ou de alguém. Veja bem, se desmatássemos a Floresta Amazônica e plantássemos soja, seríamos, com certeza, o pais mais rico do mundo, mas provavelmente, à custa da destruição da humanidade, por isso disse: "duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada" (v.41). Outro exemplo: cidade grande cresce, que coisa linda! Isso significa mais cimento, mais asfalto, mais carro, mais poluição, mais calor, mais destruição.
Quando lemos noticias extraordinárias de progresso, não podemos nos deixar enganar pela propaganda, principalmente agora, que estamos na grande corrida consumista do Natal. O que está por trás de uma propaganda é silenciado para o progresso aparecer. Precisamos tomar consciência de que o futuro dos filhos e netos está em nossas mãos. Um simples gesto de fecharmos as torneiras, apagarmos as luzes desnecessárias é urgente.
Hoje, Jesus nos pergunta: por que estamos criando cenários de morte? Estamos no Advento, um tempo de pensar, de sonhar, de olhar para um horizonte mais esperançoso, Jesus quer nascer no meio de nós. Quando pensamos em Natal, imaginamos noite feliz, um menino nascendo, as crianças brincando. Assim sentimos o cheiro do Natal, que fala de paz, de beleza, de alegria, de harmonia.

Enfim, este Evangelho quer nos dizer para sermos mais realistas, olhar a realidade e ao mesmo tempo, olhar para o Jesus que quer nascer no meio de nós. Nasce pequeno, junto com os mais pobres e miseráveis. O mais importante que nos cabe fazer é modificar nossas relações, nos fazer humanos uns com os outros, porque do contrário nos destruiremos.

Por: Isaac Segovia


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