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É possível ser cristão na cidade

2 de novembro de 2016

Neste artigo temos como objetivo refletir a importância da Fé para seguir a Cristo. Sentimos que qualquer lugar onde estamos, é propicio para vivenciar a nossa fé cristã e aqui poremos como exemplo a cidade. Para isso, demostraremos no primeiro momento como o ser humano é criador da cidade. E no segundo momento distinguir entre religião, religiosidade e Fé. É uma reflexão a partir da nossa experiência de sair do interior do país e chegar à cidade, vivenciando a nossa fé cristã.
Ser cristão significa ter fé em Cristo, segui-Lo. Hoje em dia, numa cidade grande há muita correria. Parece que falta tempo para tudo. E nos perguntamos: há tempo nesse espaço para um ser humano manifestar a sua fé cristã? Ou seja, é possível ser cristão na cidade? Afinal, o que é a fé? São questões norteadoras da nossa reflexão.
Ser humano cria cidade. Para entender como se dá esse processo, vamos olhar três níveis do homem. Nível psicológico, filosófico e teológico.
Psicológico: o ser humano é diferente dos animais. Os animais andam em grupos, não têm necessidade do outro para existir. Em contrapartida, a pessoa precisa se relacionar, tem necessidade, precisa criar ambiente.
Filosófico: aqui existem três tendências radicais interligadas. A verdade, o bem e a beleza. Isto quer dizer: o ser humano sente necessidade de partilhar com o outro para conferir se é verdade. Necessidade de comunicar o bem e o belo. Se as três fossem, apenas, uma posse minha, não saberia se existiriam porque nunca comunico nem partilho com o outro. Nós sabemos pelo contraste, precisamos do outro que nos diga.
Teológico: a mais bonita das anteriores. Leonardo Boff disse: "Precisamos passar da solidão do Um à comunhão dos divinos Três, Pai, Filho e Espírito Santo" (Do livro: A Santíssima Trindade é a melhor comunidade. São Paulo: Vozes, 1988.p.25). O grande defeito que cometemos é falar primeiro Deus. Deveríamos falar Pai, Filho e Espírito Santo, ou seja, a Trindade é como uma árvore com os três galhos se junta na comunhão e forma só UM. Desde o princípio fomos criados para a comunhão, a própria imagem da Trindade. Se fomos criados para a comunhão, então, a solidão, o individualismo criado pela sociedade é sinal de morte.
A primeira comunhão é a família. E assim vai se criando até chegar numa cidade. À medida que a cidade cresce, também cresce a necessidade. A cidade nasce da nossa própria natureza, da nossa própria necessidade. Ela é uma necessidade por causa da nossa necessidade. O ser humano cria necessidade e vai ampliando igual uma teia de aranha.
O ser humano chega a cidade com uma bagagem enorme. Traz consigo sua cultura, seu conhecimento, sua experiência, sua expectativa. Também chega com sua religião, religiosidade e Fé. Vamos nos concentrar nesses três últimos e distinguir para entender sua complexidade e importância.
Religião: é a organização que por sua vez compõe-se de uma série de elementos a seguir: Pessoas: Papa, Bispo, Padres, Leigos. Lugares: Igreja, Capela, Santuário. Tempo: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Comum. Assim também, têm doutrina, mito, história, etc. O que a religião faz? Organiza tudo. Por exemplo: o Credo, pega uma série de verdades e organiza a Profissão de Fé.
A religião é organização, sistematização, disciplina, portanto, se não segui a disciplina, pode sair da religião. Isso é importante saber. Porque muitas pessoas estão com problemas de religião e pensa que está com problema de fé. Seguir a religião significa então, aceitar as suas regras, prescrições, organizações, os seus deveres, os seus direitos.
Religiosidade: é mais sentimento, capacidade de perceber esse mistério, do absoluto. Ou seja, uma pessoa vai para a celebração porque acha bonita e não por causa da religião, estar presente porque se encanta do evento. Assiste porque a música toca o sentimento, lembra-se da família, da sua cultura, etc.
Então, a religião fala para ordem, detesta desordem. A religiosidade fala aos cinco sentidos. Uma música e incenso é cheiro de religioso. Por isso, se quer favorecer a religiosidade numa cidade, crie o ambiente. Se quiser organizar a religião numa cidade, coloque ordem, autoridade, poder.
Por último a fé: Para falar da fé veremos o Evangelho de Marcos: "O tempo já se cumpriu e o Reino dos céus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Notícia" (v.15). O tempo chegou ao seu ponto alto. Chegou uma realidade. Não é uma ordem, não é uma música, não é um cheiro de fumaça. É uma realidade transcendente que chega à história. É Alguém. "O Reino dos céus está próximo". E provoca duas coisas: convertei-vos e crede na Boa Notícia. Os dois imperativos mostra claramente a fé.
Em princípio, a fé, não precisaria da religiosidade. O cristianismo nasceu com pouca religiosidade. Se repararmos bem, Jesus rezava sempre sozinho à noite. Jesus não rezava com os Apóstolos. Ele não apelou à religiosidade a ninguém. Ele ensinou o Pai-Nosso aos discípulos porque eles o pediram. E quando Jesus pediu para rezar no Getsêmani (cf. Mt 26,40-41), Ele pediu compromisso, o mínimo de fé na pessoa dele.

E finalmente, Jesus morreu na cruz, e a última palavra é: "Pai, em tuas mãos entrego meu Espírito" (Lc 23,46). Isso é fé. Eu posso ter fé sem religião nenhuma. É possível. Nós sabemos que Jesus foi expulso da religião oficial judaica, representado pela pessoa do Sumo Sacerdote, e morreu sem religião (cf. Mt 26,65), mas mantém a sua fé até o fim. Morreu sem religião, religiosidade nenhuma e com muita esperança e fé. A Igreja procura integrar as três porque ajuda para seguir Cristo.

Por: Carlos Eduardo e Isaac Segovia



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