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Vocação: discernimento do mistério

3 de agosto de 2016

Neste mês de agosto, a Igreja dedica o tempo para rezar pelas vocações. Por isso, queremos oferecer por este meio uma série de artigos para refletir sobre a nossa Vocação. Sempre nos sentimos incomodados quando começamos a falar ou escrever sobre este tema, porque não é fácil definir. Porém, vamos tentar uma exposição a partir de leituras encontros e experiências vividas.
Vocação deriva da palavra latina vocatio que significa chamado. Hoje em dia, significa mais, inclinação ou aptidão da pessoa para realizar algum projeto na vida. Ora, num sentido mais especifico direcionado para a Vida Consagrada, vocação é um apelo de Deus que chama a uma pessoa para uma missão ou serviço. Nesse sentido é que queremos desenvolver nosso artigo.
A vocação é um fato muito pessoal. Aquele que vive, sobre tudo quando vai amadurecendo gradualmente através de varias experiências, torna-se parte intrínseca da pessoa. A vocação, por ser discernimento sobre o quem somos e por que somos, faz parte do mistério inapreensível.
Certamente, a vocação é uma experiência que está situada entre homens e mulheres que fizeram uma experiência inicial em direção a Deus. É Deus quem chama livremente. Ele não se submete a esquemas humanos. Ele chama a todos. O segredo está em saber escutá-Lo.
A iniciativa é, pois de Deus. Aquele que é chamado, muitas vezes, talvez, não se sinta capaz de cumprir a missão confiada. Aqui, entendemos o centro da vocação: é a missão. A missão consiste geralmente, em realizar algo em beneficio do povo, que atinge as necessidades e revela a presença atuante de Deus.
A pessoa chamada, a partir da hora em que escutou o chamado, toma consciência aos poucos, e é alguém profundamente marcado e transformado. A transformação da pessoa é expressada, muitas vezes, pela mudança de nome, o novo nome é símbolo ou expressão da missão recebida. Eis alguns exemplos: Abrão passa a ser chamado Abraão, que significa "pai de muitas nações" (cf. Gn. 17,5). Jacob passa a se chamar Israel, "forte contra Deus" (cf. Gn. 32,29). Simão passa a ser chamado Pedro, a rocha sobre a qual Cristo edificou a Igreja (cf. Mt. 16,18).
O chamado poderá aparecer na Palavra de Deus ao homem, dita toda inteira e de uma vez, com clareza. Pelo contrário, há pessoas, situações, historias, nas quais essa Palavra vai se esclarecendo progressivamente, depois de uma longa caminhada. Temos a Moisés como protótipo de uma vocação: somente depois de muitas experiências, entende-se finalmente o que Deus quer dele e para que o chamou. Esta transformação não se realiza só de uma vez. A vocação como experiência inicial e fundamental do chamado, deve compreender-se como uma fidelidade permanente, capaz de superar obstáculos e decepções.
Também Deus se manifesta através da Palavra de um profeta e de alguém que sabe interpretá-lo. Eis aqui alguns exemplos claros de vocação, no qual Deus chama a alguém. Na própria vida do Apóstolo Paulo, que se considerava pessoalmente chamado por Deus (cf. Rm.1,1) e não por intermédio de homens (cf. Gl. 1,1), aparecem mediações humanas como Ananias (cf. At. 22,12-16). João Batista, segundo o Evangelho de João (cf. Jo 1,35-37) encaminha aos seguidores apontando a Jesus. Assim acontecem com André quem chamou a Pedro (cf. Jo. 1,40,42). Jesus chamou a Felipe e Felipe a Natanael (cf. Jo. 1, 43-45). Assim vai formando um elo de chamado.
Olhando os personagens, podemos afirmar que o contato com um vocacionado faz surgir novas vocações. Por tanto, a missão do próprio vocacionado é transmitir aos outros a própria experiência. Assim, concretizamos que a vocação como chamada de Deus, nos leva, nos mergulha para a missão e que não pode ser interrompida. Então, a vocação nos faz participe para realizar a missão ao serviço do Reino de Deus.

Por: Carlos Eduardo e Isaac Segovia










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