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O Reino de Deus e o seu caráter

10 de fevereiro de 2015

O caráter escatológico do Reino de Deus
Até hoje não é compreendido por muitos cristãos o verdadeiro significado do Reino de Deus. Segue o desejo de aprofundar como fez o teólogo Rudolf Schnackenburg, autor que vou seguir neste estudo.
A doutrina de Jesus integramente não foi entendida pelas pessoas de sua época. Os judeus estavam maravilhados com sua doutrina porque Ele ensinava com autoridade, mas não temos certeza que Ele aclarou completamente o significado do Reino de Deus (Mc 1,22), em suma, a novidade de Jesus inquietou e criou curiosidade nas pessoas de seu tempo, tal como vemos em Mc 10, 17: “Que devo fazer para conseguir a vida eterna?”. Então em que consiste esta doutrina? Efetivamente, todo o ensino de Jesus está ordenado à vida, olhando a Deus e ao próximo. Jesus evidencia uma coerência entre a interpretação da vontade de Deus e o seu modo de se comportar, a proximidade com os pecadores e não com os piedosos, demonstrou a presença de Deus aos homens. Justamente o modo de vida de Jesus foi mais como um profeta convencido de suas palavras que um mestre, a escolha e formação dos discípulos não eram para fundar uma nova escola de rabinos, uma forma muito peculiar naquela época.
O centro da pregação e da mensagem de Jesus foi o reino. Nos evangelhos sinópticos[1]aparece más de 100 vezes a expressão ἡ βασιλεία τοῦ θεοῦ assim se pode encontrar que na mesma comunidade nascente houve um seguimento e aplicação do kérigma de Cristo, Mateus usa ἡ βασιλεία τῶνοὐρανῶν, (em hebraico “Malkhut ha Shamáyim”) na verdade responde ao uso rabínico daquela época.
Qual é a novidade ou a mesma atitude de Jesus diante do reino de Deus? Como vimos, o conceito “reino de Deus” tem um enfoque escatológico, que não vai ter fim, em suma, é escatológico porque a afirmação “está perto” é uma proximidade profética futura, incluso, já realizado.
No judaísmo, era esperado um messias, com expectativa escatológica grande. Mesmo, os discípulos acharam que o reino de Deus aparecerá segundo o pensamento deles (19,11).

Caráter salvifico da basileia
Na mensagem de Jesus não escutamos vingança ou ódio aos inimigos. A sua motivação foi o anuncio da salvação, no qual se incluem os pecadores e as prostitutas (Mc 2, 15-17), uma misericórdia oferecida para todos, no entanto exige conversão e piedade com os outros, como aconteceu com Zaqueu (Lc9, 1-10) onde houve uma reação positiva diante da proposta salvifica.
Toda a ação de Jesus foi misericórdia, ele sabe que é o Salvador que cria um destino de redenção. Percebemos muitas promessas na pregação, saciedade, consolo, (um Gan Eden), a nova criação (Mt 19,28).

Caráter religioso do Reino
O brilho da basileia anunciada por Jesus tem força porque seus fundamentos estão fora da linha terrena e política. Sua atitude gerou esperança, tanto que desejaram elegê-lo como rei (Jo 6, 15). Dentre o povo, os zelotes eram os mais fanatizados em ter um messias político, até mesmo os discípulos com um poder teocrático (Mc 10, 37), no entanto, o mesmo Jesus manifesta que o reino de Deus é exclusivamente uma dimensão submetida a Deus, e nenhuma especulação humana pode saber o momento Mc 13,32: Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai).
O reino de Deus tem um caráter universal, o interesse é a salvação da humanidade. Não há elite, fronteiras, nem puros já escolhidos. Jesus chama a todos, não existe uma raiz santa.
Jesus cria uma comunidade que vivencia o perdão de Deus. O evangelho de Mt 25,31-46 é sinal desta universalidade. Todos deverão comparecer ante o Juiz das nações.

Por: Cristóbal Ávalos Rojas, noviço barnabita.

REFERENCIA BIBIOGRAFICA
BÍBLIA SAGRADA – Tradução da CNBB – Editora Canção Nova, 2012.
SCHNACKENGURG, Rudolf. Reino y reinado de Dios. Madrid: Fax, 1974.



[1] Mateus, Marcos e Lucas. 
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