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A Geração da Cabeça Abaixada

18 de março de 2014

Por motivos que a grande maioria de vocês conhece, tenho estado bastante anestesiado quanto a tudo que vem ocorrendo à minha volta. Porém, nos meus poucos momentos de distração venho percebendo algo que está me incomodando muito e que só tende a piorar.
Há pouco mais de 15 anos, duas grandes invenções vieram para desestabilizar completamente o mundo em que vivemos: o celular e a internet! Com o grande chamariz de permitir uma absurda velocidade de recebimento de informações e contato direto com qualquer pessoa em todos os cantos do mundo, essas preciosidades foram ganhando espaço e hoje tornaram-se mais importantes do que as pessoas em si! Essas duas invenções modificaram o jeito das pessoas se relacionarem. Tenho reparado casais sentados frente a frente em um restaurante, sendo que, ele e ela, cada qual, com cabeça abaixada, divertindo-se com seus próprios celulares. Pouco se olham, pouca se falam.
Já vinha notando colegas de trabalho que mal respondem bom dia quando entramos na sala dos professores, sendo que, na maior parte das vezes, estão com a cabeça abaixada, entretido com seus próprios celulares.
Ao parar em um sinal ou em um engarrafamento, tenho visto pessoas dando sorrisos por estarmos, de cabeça abaixada, lendo algo interessante em seus próprios celulares.
Ao percorrer um shopping ou mesmo uma rua movimentadíssima, venho tentando entender qual dinâmica permite que as pessoas, de cabeça abaixada, consigam se desviar das que vêm pela sua frente.
Acreditem vocês ou não, mas tenho encontrado médicos e enfermeiros dentro do hospital cruzando os corredores, de cabeça abaixada, concentrados em seus próprios celulares enquanto pacientes gritam de dor e familiares anseiam por um contato mínimo que seja com esses cidadãos.
Não...Não pensem que não uso celulares, que não sou um dos que dá aquela olhada várias vezes durante o dia, que não posto fotos e comentários que na prática não acrescentam em nada na vida da maioria dos que me "acompanham". Seria hipocrisia dizer que sou contra tudo isso. Afinal, tenho minhas contas de facebook, instagram e whatsapp, como meus contatos sabem.
O que venho aqui tentar alertar, principalmente a essa geração que já nasceu de cabeça abaixada, é que NADA substitui a conversa olho no olho, nada é melhor do que tentar fazer de cada momento algo único e que mesmo que tentemos fazer mil coisas ao mesmo tempo, este mesmo tempo se esgotará e quando isso acontecer, será tarde para se arrepender de não ter beijado mais aquele namorado que estava na sua frente no restaurante, de não ter conversado com aqueles mestres que tanto poderiam trazer experiência e um pouco de humor em suas salas dos professores, de ter dado aquele sorrisinho para motorista gatinha do carro ao lado, de ter rido dos tipos que vêm em sua direção no shopping ou percebido uma roupa ou estilo maneiro naqueles que andavam na rua, de ter feito um pouco mais por aqueles que esperavam quase nada nos leitos de um hospital.
Enfim, não dá pra viver sem celular e internet, mas dá sim pra levantar a cabeça e viver um pouco mais a vida que é aqui fora da telinha e é real!

Por: Bruno Lima (professor e paroquiano da paróquia barnabítica Nossa Senhora de Loreto, Rio de Janeiro – RJ).
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