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A nova fundação dos Barnabitas em Mérida (Yucatán - México)

4 de dezembro de 2013

Entre as mais recentes perspectivas de desenvolvimento da Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo, chamados Barnabitas, em países extra-europeus - entre os quais a Tanzânia e a Indonésia -, concretizou-se a nova fundação de Mérida, no Estado de Yucatán no México. 
Depois do décimo aniversário de consolidação da presença dos Barnabitas no terceiro maior país da América Setentrional graças à fundação da Comunidade de Monterrey, a nova Consulta generalícia achou oportuno promover e apoiar um novo salto apostólico à luz das indicações emitidas pelo último Capítulo Geral de 2012, que criou, como órgão pastoral-administrativo de apoio em específicas áreas geográficas, o Conselho de Planificação Latino-Americano.
Após doze anos de laboriosa presença missionária – embora que temporária, ou seja, limitada no período das férias de invernos ou de verão – nos Estados de Puebla, do Michoocán e no Distrito Federal, com surpresa em fins de 2012, uma após a outra se fecharam as portas ao pedido de acolher uma nova fundação barnabita no México, embora as razões ligadas às particulares e atuais situações daquelas Dioceses possam ser compreendidas.
Não dispondo de conhecimentos diretos de outras realidades diocesanas, após um momento de desânimo devido à impossibilidade de pôr-me de novo em caminho por aquele imenso país batendo em portas desconhecidas, na oração me lembrei daquela reflexão do nosso Santo Fundador, Antônio Maria Zaccaria quando observava que também a água do mar tinha os seus tempos: “... seis horas flui e seis horas reflui, e aquela água não se pode dizer que esteja firme” (Sermão VI). Então, aquela água, generosamente movida por tantas fadigas apostólicas, por outras vias, com a mesma generosidade, teria feito retorno.
Esperando aquele providencial refluxo, mas sem me afastar de Roma pensei de confiá-lo aos meus ex-alunos mexicanos da Pontifícia Universidade Gregoriana – todos sacerdotes – por mim conhecidos na Urbe durante os anos nos quais frequentavam os cursos de especialização e de doutorado em História da Igreja. Ao pedido de ajudar-me em localizar dioceses necessitadas e dispostas a acolher o nosso carisma, entre as diversas respostas prontamente vindas de todas as latitudes e longitudes do México (desde Saltillo, à Baja Califórnia, a Tabasco, etc.,) uma em particular me chamou a atenção: Aquela do Pe. Hector Augusto Cárdenas Ángulo, que humildemente apresentava as necessidades da sua Igreja local e me assegurava uma primeira disponibilidade das autoridades eclesiásticas da sua Arquidiocese de Yucatán para encontrar-nos.
E assim, do dia 08 ao 18 de março e do dia 07 ao 18 de maio de 2013, com a bênção do Reverendíssimo Superior Geral, Pe. Francisco Chagas Santos da Silva e da Consulta Geral, me dirigi por duas vezes em exploração a Mérida, capital do Yucatán, sem antes ter ali posto os pés.
“Por gracias de Dios” veio naturalmente– “Nunca desistas de un sueño. Sólo trata de ver las señales que te lleven a él” – graças também às ótimas relações travadas com as Autoridades diocesanas locais, entre as quais o Arcebispo S. E. Monsenhor Emilio Carlos Berlie Belaunzarán, e o Vigário Episcopal para a Vida Consagrada, Pe. Armín Rivero Castillo, além do clero diocesano e religioso.
Uma simpatia recíproca – a primeira vista – e a benévola impressão de ter providencialmente chegado a “nuestro destino”; daqui a profecia do Arcebispo, aquela de uma nossa nova fundação em “4 m”, destinada a tornar-se realidade em um tempo breve, apenas seis meses: “Meu caro Pe. Lovison aqui são bem recebidos os Barnabitas; já estão os quatro ‘emes’: México, Monterrey, Mérida e Maria”.
De fato, Maria Santíssima nos tem guiado sempre, e grande foi, por exemplo, a alegria de encontrar na Arquidiocese de Yucatán bem duas estimadas Comunidades religiosas das Filhas da Divina Providência, como ainda maior foi a surpresa de reencontrar o quadro de Nossa Senhora Mãe da Divina Providência justamente na nova casa paroquial a nós destinada: já estava nos aguardando...

YUCATÁN
Outras razões desta escolha se encontram no encorajante pedido por parte da Arquidiocese de Yucatán de assumir, como Barnabitas, não só uma paróquia, quanto de construir um polo de renovação para toda a vida diocesana através da riqueza do nosso carisma paulino-zaccariano.
Daqui a possibilidade e o encorajamento em ocupar outros possíveis espaços de apostolado, quais a formação espiritual para jovens e leigos, a animação do clero, a direção espiritual para universitários e para aos estudantes de colégios católicos como do próprio seminário diocesano, o ensino, o ministério da confissão e da pregação, o incremento da devoção à Eucaristia, ao Crucificado e aos nossos Santos, a atenção para com os mais pobres e pelas missões nas partes mais internas e isoladas do país.
Premissas importantes para organizar uma séria pastoral juvenil e vocacional e começar a pensar numa casa de formação. Por estes motivos S.E. Monsenhor Emilio Carlos Berlie Belaunzarán tem fortemente desejado que a nova fundação permanecesse aos menos no seu inicio na capital, Mérida.
Acerca da ligação com Monterrey se percebeu logo como o problema da notável distância entre as duas Comunidades fosse facilmente e economicamente superável graças aos voos low-cost de diversas companhias aéreas mexicanas, que ligam muitas vezes ao dia o Aeroporto Internacional de Mérida com o de Monterrey, (o voo dura menos de duas horas), e com aquele, naturalmente, da Cidade do México (uma hora e meia).
Mérida, pois se encontra próxima às famosas metas turísticas da Riviera Maya e de Cancún, sede de um importante aeroporto internacional, e ainda mais próxima ao Brasil e aos outros países daquela área onde há a nossa presença religiosa, na esperança de uma proveitosa relação de sustento e colaboração com o Conselho de Planificação Latino Americano.

MAS, POR QUE OUTRAS NOVAS FUNDAÇÕES?
As Deliberações do 136º Capítulo Geral a propósito das novas fundações afirmam: “O Capítulo Geral, na ótica de continuar a política de novas fundações, como resposta às solicitações da Igreja para a Nova Evangelização, insiste que se considerem as seguintes condições: a) as novas fundações entrem em uma lógica de programação geral, prudente e motivada; b) o pessoal religioso possa ser tomado de várias províncias; c) as novas fundações disponham de suficientes meios econômicos e de um adequado número de religiosos, aí destinados também por um período determinado, como o objetivo de constituir o quanto antes uma comunidade formada; d) haja de norma a preocupação, nas novas fundações de assegurar algumas propriedades para a Congregação (deliberação 90). O Capítulo Geral julga que a localização das novas fundações deva depender de um plano estratégico da Congregação, que mantenha presente o espírito de missionariedade, as exigências da evangelização, a vivacidade do nosso carisma, a expectativa vocacional (deliberação 91)”.
O esforço em tal sentido aprovado pela nova Consulta Generalícia e que compromete toda a Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo – onde ninguém deve se sentir inútil – não implica de modo algum uma atitude de negligência ou desinteresse para com as realidades geográficas da antiga evangelização, antes muito vivazes e pastoralmente fecundos.
Simplesmente a Congregação segue o sopro do Espírito Santo, e permanece sempre uma mesmo sendo constituída – hoje mais que no passado – por tantas comunidades espalhadas no mundo, com diversas línguas, culturas e sensibilidades, tradições. Uma riqueza incalculável que é própria dos Barnabitas: “Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos” (Cf. Ef 4, 4-6).
Não existiu jamais, portanto uma Congregação para os italianos, uma Congregação para os europeus, uma Congregação para os africanos, etc., sempre permaneceu única Congregação na qual todos os filhos de São Paulo estão estreitamente unidos.
De terras tão distantes e diversas provêm ainda hoje, mais do que nunca o convite a escutar o coração e a reencontrar os motivos, a beleza, a força, e uma pitada de santo orgulho, pela unidade: paulinamente unidos, acima de tudo. Por isto com sabedoria o Capítulo Geral de 2012 reconhecia como a evangelização “não é uma iniciativa pessoal, mas surge pela comunhão: com Cristo, que nos confia o seu Evangelho e envia os seus discípulos não individualmente, mas dois a dois; com a Igreja, em cujo nome exercitamos o nosso apostolado; com a Congregação, com o seu carisma e a sua tradição” (deliberação 32).
Do Oratório da Alegria de Monterrey como por uma anciã paroquiana de Mérida, o apelo é, portanto o mesmo: sejais “plantas e colunas da renovação do fervor cristão” (Santo Antônio Maria Zaccaria, Carta VII).

*Tradução do italiano para o português: Jaciel Baracho, noviço barnabita.
**Correção da tradução para o português: Pe. Vitor Maria Baderacchi, CRSP.
***Texto original completo em italiano do Padre Filippo Lovison, CRSP, se encontra na revista: Eco dei Barnabiti, Rassegna trimestrale di vita e di apostolado dell’Ordine Dei Clerici Regulari Di San Paolo, n.3 – Settembre 2013, pg: 45 a 63.
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