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O bioma da Caatinga e a preservação da vida

24 de julho de 2017


A Igreja Católica, representada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou na Quaresma deste ano a Campanha da Fraternidade 2017 com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. Neste artigo são abordadas algumas considerações acerca do bioma da Caatinga.
            Segundo Ferreira, bioma é um termo relacionado à ecologia e significa “comunidade importante que se estende sobre uma grande área, a qual se caracteriza por uma vegetação dominante” (FERREIRA, 2004, p. 178). Essa comunidade representa o conjunto formado pelas inúmeras espécies da fauna e da flora que interagem em determinada região.
            A Caatinga abrange os estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Mesmo sendo genuinamente brasileira, a Caatinga é o bioma do qual se tem menos informação e mais preconceito por causa dos estigmas sociais e climáticos vivenciados pelos nordestinos. Originário do tupi, Caatinga significa “mata branca”. Essa característica se deve ao fato de que durante os longos períodos de estiagem, a vegetação fica visivelmente esbranquiçada, cinza, dando a aparência de morta. Biologicamente, esse fenômeno é a ação dos processos metabólicos que ocorrem no organismo dessas plantas. Quando não há chuva e a seca impera, a vegetação perde as folhas, economizando ao máximo a água e os nutrientes. Há, inclusive, um predomínio de plantas espinhosas, visto que os espinhos perdem menos água que as folhas, como é o exemplo do umbuzeiro, do juazeiro e do cardeiro, mais conhecido como cacto que, por sua vez, possui mais espinhos que folhas. Isso, aos olhos do senso comum, representa pobreza e miséria. Mas, ao contrário, é o sertão que não deixa de viver, ainda que sacrificando-se. Quando surge um período chuvoso, mais favorável, a beleza da Caatinga se refaz. Basta haver uma chuvinha que as folhas começam a brotar nos galhos que antes pareciam mortos. Quando a vegetação se revigora, os sertões nordestinos transmitem a esperança de que o período das secas dá uma trégua.
            É verdade que desse bioma pouco se conhece perto da biodiversidade que ele contém. Pensa-se que nele tudo é inferior e decadente, mas, atentos a isso, aqueles que refletem sobre o tema da Campanha deste ano devem destacar que, antes de tudo, defender e preservar os dons da Criação é, também, ser sentinela do reconhecimento de que todos são dignos, enquanto seres humanos, de terem acesso a melhores condições de vida e de convivência com a natureza.
            É válido citar também os “conselhos ecológicos” a respeito da convivência com a Caatinga, dados no início do século XX e atribuídos a pessoa de Padre Cícero Romão Batista, líder religioso e político do Nordeste que orienta o seguinte:

“Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau; não toque fogo no roçado nem na Caatinga; não cace mais e deixe os bichos viverem; não crie o boi nem o bode soltos: faça cercados e deixe o pasto descansar para refazer; não plante em serra acima nem faça rolado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza; faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva; represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta; plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão seja uma mata só; aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca; se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer; mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão vai virar um deserto só.”

            Recorde-se também a recente Carta Encíclica do Papa Francisco a respeito do cuidado com a Casa Comum, documento no qual ele exorta acerca da importância da humanidade precisar respeitar os limites do Planeta em vista de um futuro melhor para as próximas gerações. Assim ele escreve:

“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas antes de tudo é a humanidade que precisa mudar. Falta a consciência de uma origem comum, de uma recíproca pertença e de um futuro partilhado por todos. Essa consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração” (PAPA FRANCISCO, 2015, p. 163).


            Mais do que nunca, é de máxima importância e necessidade que o ser humano repense as próprias ações em função de uma revisão dos seus atos e das consequências destes, caso contrário, a natureza não conseguirá suportartantos golpes e investiduras e uma hora revidará à altura a forma como tem sido tratada pela humanidade.

POR: Edvando Barros, estudante de Filosofia da Província Norte do Brasil 

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