Durante cinquenta dias
caminhamos à luz da Páscoa, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo. A vinda
do Espírito Santo vem completar a "nova
criação" que Deus realiza por meio de seu Filho, o novo Adão.
Em Cristo, Deus renova, recria o mundo conforme a obra de seu Filho Jesus, obra
que levamos avante guiados pela força do Espírito Santo (Rm 8, 14). Podemos
afirmar que o mundo que jaz morto no pecado, ressuscita com Cristo, pelo
Espírito Santo dado à sua Igreja que é semente do Reino de Deus na História (LG
3).
Em Pentecostes, a Igreja
desejada por Jesus como "pequeno Rebanho" (Lc 12, 32) é insuflada
pelo sopro do Espírito e surge como "missão a serviço do Reino de
Deus". Mais do que dizer que a Igreja tem uma missão, podemos dizer que o
Reino de Deus tem uma Igreja missionária a seu serviço, para difundi-lo no
mundo. Assim, a Igreja reverte o acontecimento da Torre de Babel, onde ninguém
se entendia pela confusão das línguas. Em Pentecostes acontece o contrário: o
Espírito, através da Igreja, difunde no mundo a linguagem do amor, o qual
inclui a justiça com o perdão e a misericórdia.
Pela linguagem do amor, o
Espírito une a diversidade na força do ressuscitado: "um só Senhor, uma só
fé, um só batismo" (Ef 4, 5). O mesmo Espírito produz a multiplicidade de
dons e ao mesmo tempo produz a unidade, pois o Espírito Santo é o amor de Deus
que tudo une. O mundo de hoje, maravilhoso no seu aspecto tecnológico e
científico, precisa de um novo Pentecostes para perceber que é o Espírito Santo
a fonte de toda novidade, inspiração e força criativa do ser humano.
Em nossa profissão de fé:
“creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica”, a Igreja é entendida a
partir do Espírito Santo, como lugar em que Deus, por Jesus atua no mundo na
dinâmica do Espírito: “Recebereis o Espírito Santo e series minhas
testemunhas”(At 1,8). O Espírito Santo nos convida à unidade: somos membros
diversos do mesmo Corpo (Rm 12, 3-8; 1 Cor 12, 3-13). Ideologizar a mensagem do
Evangelho é um perigo que ronda nossas comunidades, tornando-as "casa de estranhos",
onde pessoas estão juntas, mas não unidas.
Ao mesmo tempo, a força e
o dinamismo do Espírito impelem a Igreja para a missão. E hoje, em tempo de
mudança de época, mais que nunca é necessário ouvir o que diz o Espírito Santo
à Igreja (cf. Ap 2, 27). Mais do que nunca é necessário perceber os
"sinais dos tempos" que pedem uma "conversão pastoral" (cf.
DAp 365-366). Na força do Espírito que recebemos, saibamos construir a unidade
na diversidade e na adversidade. Ao mesmo tempo, tenhamos a paixão pela missão,
cada dia mais urgente é exigente.
Dom Pedro
Carlos Cipollini
Bispo de Amparo (SP)
Fonte: cnbb.org.br