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O Tempo da Quaresma

18 de fevereiro de 2015

 “A quaresma é o tempo favorável pelo qual todo cristão é chamado, como suplica a oração do I Domingo da quaresma, a progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu Amor por uma vida santa” (ACMC)
        
Caros irmãos e irmãs, saudações no Cristo Crucificado!
Percebe-se pela análise dos textos que a Liturgia diária e dominical  propõe, ao longo desse período de preparação à Semana Santa, a compreensão de quão vasto e sábio é o Plano de Deus sobre o homem. A partir da condição pecadora do homem, Deus quer realizar a divinização do mesmo, mediante o dom do próprio Filho.  A condição do homem é vista em toda a sua miséria. O fiel é, assim, chamado a tomar consciência da mesma, sem nunca esquecer que o Deus misericordioso quer dela resgatá-lo mediante uma liberal e gratuita ação de salvação. Contudo, antes mesmo de falar do Salvador, os textos litúrgicos apresentam os compromissos de uma regeneração (o fiel deve ser temente a Deus e viver o compromisso da purificação dos pecados, do serviço e da comunhão com a fé dos apóstolos). A figura de Jesus Cristo é central na apresentação do Plano de Deus sobre o homem, porque nele se revela toda a Sabedoria do Pai e o Caminho que o homem é chamado a trilhar. Cristo é o Reino, condição gratuita e universal de salvação no Espírito. Pela sua Encarnação, através da Paixão e Morte, ele vai fazer de nós, seu Corpo, o seu Templo. A História de Israel deve ser meditada porque nos admoesta quanto à forma de viver a Aliança que Deus estabeleceu conosco em Cristo. A Quaresma, enfim, nos alerta a não endurecermos o nosso coração diante de mais uma manifestação do amor misericordioso do nosso Deus que, pacientemente, a cada ano, nos chama à conversão.
Quarta feira de cinzas
         Iniciamos o terceiro tempo do ano litúrgico. A Profecia, no Advento, nos exortou do Mistério que realizaria o Plano de Deus. O Tempo do Natal no-lo mostrou. Pela quaresma, advertimos a importância em aprofundar a compreensão da Pessoa de Jesus Cristo. Deus se agrada com essa nossa atitude porque é o instrumento eficaz para resistir às concupiscências da carne. A nossa convicção corresponde ao que nos ensina a Sb. Deus ama as suas criaturas, como uma mãe ama o seu filho. Seu único desejo é que entendamos que a penitência é o caminho para superar os entraves da nossas concupiscências.
         O conteúdo dos textos que nos serão apresentadas ao longo da Quaresma, alimentarão o propósito da nossa abstinência dos desvios do pecado que nos escravizam ao espírito do mal.
         1º Jesus se apresenta na condição de Filho do Homem, a Glória de Javé. Na sua autoridade, nos ensina o caminho da nossa glorificação, mostrando na sua humanidade o modelo. Ela chega à glorificação mediante o sacrifício da vida. As tentações que o Novo Adão supera, indicam o caminho da realização do homem.
         2º A motivação é a Vida eterna, superior a qualquer vantagem que possa ser conquistada ao longo da vida terrena.
         3º Nossa confiança está em reconhecer que nele há o poder da nossa cura, porque ele é o médico.
         4º A nossa esperança está nas Núpcias que o Filho do Homem realizará com a humanidade, associando-a à Glória da Divindade.
         Jesus é a fonte da Água que jorra para a vida eterna
         É o Filho que faz tudo o que vê o Pai fazer, a quem, o Pai deu o poder de dar a vida
         É a realização da Profecia, anunciado por João Batista.
         É a fonte da Água vida com a sua ressurreição.
         É a Luz do mundo, o “Eu sou”, a Glória de Javé que se revelará com a sua “elevação”.          
         Quando o sacerdote benze as cinzas, pede a Deus a riqueza da graça que elas podem nos transmitir. O nosso gesto de inclinar a cabeça não deve assemelhar-se ao de um junco que se dobra ao vento (Is 58,5) e que volta a reerguer-se como se nada tivesse acontecido. Quer ser o início de um tempo favorável, durante o qual o nosso Criador possa agir pela sua Palavra da Verdade que nos regenerou à vida (Tg 1,18), infelizmente perdida por causa dos nossos pecados. Com a Quarta-feira de Cinzas queremos voltar ao Senhor de todo coração, pelo esforço do nosso entendimento até chegarmos ao pleno conhecimento de Cristo, para que em nós prevaleça a vida do Espírito, sem mais voltarmos a ser escravos das paixões da carne. São Tiago declara que quem é amigo do mundo é inimigo de Deus (Tg 4,4). Nós, agora, queremos voltar a ser amigos de Deus pela prática da virtude. Não faltarão as tentações. Na medida em que as superamos iremos adquirir uma virtude comprovada, até chegarmos a viver a liberdade do Espírito.
         Jesus, pelo seu Discurso da Montanha (Mt 5-7), sintetiza o nosso programa ascético dizendo que nossa vida deve ser uma vida de oração, caridade e mortificação. A oração tem como ponto de partida a contemplação das obras do Criador, máxima das quais é a obra da nossa redenção. A caridade é a vivência responsável da nossa específica vocação, pela qual contribuímos para a edificação da Igreja, sem esquecer as obras de misericórdia. A mortificação é a constante renúncia ao mundo para que não volte a reproduzir-se em nós a história do pecado.

“Que o Senhor abençoe com a riqueza da sua graça as cinzas que vamos receber”.

Pensamentos sugeridos pelos textos litúrgicos do dia
A Antífona de Entrada nos diz que Deus é compassivo e se agrada com a nossa penitência a ponto de perdoar nossos pecados. Está traçado o caminho da santificação: pela obediência aos mandamentos de Deus chegamos ao conhecimento de Deus. A sua vida, então vive em nós, porque em nós está a Sabedoria, a Bondade, a Beleza e o Poder do Espírito: em nós se edifica a nova criatura, à imagem do seu Criador.
A oração do Dia reafirma a necessidade de penitência: ela nos fortalece contra o mal.
1ª Leitura. Deus vê os nossos erros, a nossa cegueira. Pacientemente, então, tenta nos corrigir. Não nos castiga como merecem nossas faltas. Ele é benigno, compassivo, paciente e cheio de misericórdia.
2ª Leitura. A motivação para a penitência é Cristo, Aquele que não cometeu nenhum pecado e que Deus fez pecado para nós, como diz Isaias: “Carregou sobre si as nossas culpas”. Foi na obediência e na imolação que chegou à perfeição.
A aclamação nos adverte contra a impenitência.
Evangelho. A esmola, o jejum e a oração promovem o que a penitência nos propõe diante da morte que o pecado provoca em nós.
Benção das cinzas nos lembra o dever de prosseguir na Quaresma o que nos propomos com as cinzas, em vista da celebração da Páscoa, que nos lembrará Aquele que nos remiu e nos sepultou na sua Morte para nos fazer ressurgir com ele.
Oração sobre as oferendas. Infelizmente, os maus desejos sempre voltam para nos tentar. São a penitência e a caridade que os vencem.
Antífona da Comunhão. O ponto de partida para a penitência é a meditação da Lei do Senhor. É a mais alta caridade que podemos nos fazer. Quem a medita dará frutos a seu tempo como uma árvore plantada à beira das águas.

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