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11 de outubro: dia de Santo Alexandre Sauli

11 de outubro de 2014

Neste dia dedicado a Santo Alexandre Sauli, queremos por meio desta tradução tirada da obra San Carlo e i Barnabiti[1] do Pe. Giuseppe Maria Bassotti, ex-Superior Geral dos Padres e Irmãos Barnabitas, especialmente na parte dedicada a São Carlos Borromeu e Santo Alexandre Sauli, expor um pouco a história da nossa congregação, particularmente, no que se refere à amizade entre dois grandes santos da Igreja: Carlos Borromeu e Alexandre Sauli, que juntos escreveram uma das mais belas páginas da história da nossa congregação.

Os Barnabitas “Coadjutores dos Bispos
            Aquele que mais ajudou a Borromeu foi sem dúvida Santo Alexandre Sauli. De Pavia ele foi chamado para Milão para o Primeiro Concílio Provincial, onde teve parte não pequena como teólogo relator da seção De contractibus illicitis[2] e como revisor dos livros, junto ao jovem Pe. Bonfanti[3].
No mesmo Concílio Provincial, todo o material relacionado à reforma dos mosteiros foi tomado totalmente das Angélicas[4], como disse Paola Antonia Sfondati na história do mosteiro de São Paulo: “Os nossos costumes foram considerados tão úteis e bem instruídos, que pelos primeiros ministros do Ilustríssimo Cardeal Borromeu, no princípio de sua residência, foram escolhidos para ordenar o Concílio Provincial na questão das monjas, como eles mesmos nos diziam e vós sabeis; sendo que nas coisas da clausura particular, na forma das grades e dos parlatórios, tudo estava em uso desde o princípio; a forma das visitas aos visitantes, as rígidas licenças das nossas superioras, a forma de celebrar, a maneira da oração mental e a medida de duas vezes ao dia, a vida comum com a renúncia de toda propriedade e coisas semelhantes...”[5].
O período mais intenso de colaboração de Alexandre Sauli com São Carlos foi sem dúvida desde 1567 a 1570, isto é, desde quando foi eleito Superior Geral a quando foi proclamado bispo. Desde 1566 ele era frequentemente chamado a Milão pelo Santo, e os Superiores destinaram precisamente para Pavia o Pe. Bonfanti a fim de que substituísse Alexandre Sauli no ensino durante estas ausências[6]. Desde 1567 o jovem padre Alexandre Sauli tornou-se o conselheiro do arcebispo, que em uma carta de 11 de janeiro de 1570, falando dele ao Ornamento[7], louva “o prudente conselho seu, do qual me valho quase habitualmente”[8].
E quando Alexandre Sauli foi eleito bispo, São Carlos pediu ao Geral dos Jesuítas de fazer morar em Milão o novo Provincial Pe. Leonetto, porque “devido a partida do Monsenhor Bispo d’Aléria[9], tendo o escolhido para aconselhar-me e para consultar consigo asa coisas da minha consciência nas ocasiões mais importantes”[10].
Além do mais, os biógrafos de São Carlos Borromeu notaram que em 1568 quando São Carlos permaneceu muito tempo em Mântua e monsenhor Costelli adoeceu, Alexandre Sauli foi praticamente o Vigário Geral da arquidiocese milanesa (14).
Muito solicitado foi Alexandre Sauli por São Carlos Borromeu, e mais ainda o teria solicitado, se pudesse dispor dele mais tempo. Quando em Bergamo as famílias dos Albani e dos Brembani estavam em rixas foi enviado ele para estabelecer a paz[11]. Quando São Carlos provou um ‘vespeiro’ no convento milanês de Santa Marta porque queria reduzir as grades dos seus parlatórios às dimensões iguais das Angélicas, foi Alexandre Sauli a suavizar o zelo do Santo Pastor, aconselhando-o a não insistir: “porque não é essencial que os parlatórios sejam feitos todos iguais”[12].
Quando São Pio V concebeu o plano de colocar a frente das dioceses mais necessitadas alguns bispos inteligentes e santos tirados das ordens religiosas, também a nossa Congregação – bem conhecida pelo pontífice – teve de sacrificar o seu Geral. O Papa, por meio do Cardeal Alessandro, deu a incumbência a São Carlos de comunicar a notícia ao interessado e aos Padres mais velhos, mas estes, em 23 de dezembro de 1569, logo que souberam se lançaram de joelhos diante do Santo, suplicando-o de interpor todos os seus bens ofícios para evitar esta ‘desventura’[13].
O Santo escreveu então ao seu representante em Roma, monsenhor Ormaneto a seguinte carta, que é um verdadeiro panegírico de nossa Congregação: “Tendo eu informado ao Padre Superior de São Barnabé a resolução de Nosso Senhor de dar-lhe o cuidado da Igreja d’Aléria em Córsega, ele, por humilde sentimento que tem de si mesmo, alegou de não ser idôneo: o que eu não admito, conhecendo eu muito bem as suas qualidades. Por isto, esperei formular o processo e de fazer o quanto que me compete monsenhor ilustríssimo Alessandrino em nome de Nosso Senhor; e o enviarei com o outro mensageiro, junto com a informação que poderei ter sobre o estado daquela Igreja. Entretanto, não posso deixar de submeter a Sua Santidade a grande angústia na qual se encontram os padres idosos desta Congregação, aos quais comuniquei a coisa, pelo grande prejuízo que dizem acontecer pela perda deste homem para sua Congregação, a qual agora depende do prudente governo dele, e ajudada bastante pela sua doutrina, na qual, para dizer a verdade, não há igual na sua Congregação, nem mesmo há pessoa adequada como ele no governo, porque alguns padres pela sua velhice se tornam menos hábeis ao trabalho, e os outros não têm aquela maturidade de idade, que se convêm para este trabalho”[14].
E foi em Carignano que Alexandre Sauli foi alcançado pela ordem de São Pio V de aceitar sem desculpas o episcopado. São Carlos disto informou a Ormaneto em 23 de janeiro de 1570: “Tendo comunicado a firme resolução de Sua Santidade, o exortei a aceitar com prazer esta cruz por amor a Deus”[15].
A consagração ocorreu no Duomo[16] de Milão em 12 de março, pela mão de São Carlos, de monsenhor Girolamo Ragazzoni, bispo de Bergamo e de monsenhor Ippolito Rossi, bispo de Pavia, que se autoconvidou. São Carlos também pensou nos paramentos para a cerimonia (27).
Da Córsega, Alexandre Sauli continuou por carta a sua amizade com o Santo: a Amborisana[17] de Milão conserva um bom número destas cartas, em parte inéditas.
Delas escolhemos duas, as mais significativas, a primeira em dupla missava (abril de 1570), ocupa-se da sede do Sauli, em Córsega, e a segunda é de 30 de outubro de 1571: nela se transcreve somente o trecho belíssimo no qual São Carlos apostava numa possível transferência do Sauli para uma diocese da Lombardia.
Mas o Sauli não cobiçava sedes melhores, mais tarde, quando Gregório XIII quis transferi-lo para Voghera, escreveu: “Estou disposto a deixar aqui meus ossos”[18].
No final da vida, São Carlos, a quem lhe perguntava em Roma de sugerir a pessoa mais adequada para a sede da arquidiocese de Gênova, respondeu que o único era o Sauli, mas este foi transferido para a sede de Pavia somente por Gregório XIV, seu ex-aluno[19]. Morto Borromeu, o Sauli participou vivamente ao luto dos Barnabitas e da arquidiocese milanesa, lamentando somente de não ter podido participar aos funerais.

Diante destas páginas tiradas da obra do Pe. Bassotti, percebemos o quanto São Carlos Borromeu nutriu uma amizade profunda e sincera com Santo Alexandre Sauli e com os primeiros padres Barnabitas, que juntos não mediram esforços na santificação do povo de Deus.
Santo Alexandre Sauli, rogai por nós!
São Carlos Borromeu, rogai por nós!
Traduzido por:





[1] BASSOTTI, Giussepi M. San Carlo e i Barnabiti: lettera ai confratelli. Roma, 1984, p.7-16.
[2] Giussani-oltrocchi, De vita et rebus gestis S. Caroli Borromei, Milano 1751, p. 445 nota A; Menologio dei Barnabiti, X, p. 95.
[3] GERBIL, Giacinto Sigismondo, Vita di S. Alessandro Sauli, Milano 1861, pp.41-42.
[4] Congregação feminina fundada por Santo Antonio Maria Zaccaria juntamente com os Padres Barnabitas no século XVI.
[5] SALA, Biografia..., p. 255.
[6] GOBIO, Vita... Besozzi, p. 165.
[7] Representante de São Carlos Borromeu em Roma.
[8] SALA, Biografia..., p. 278.
[9] Na atual ilha de Córsega sob a administração da França.
[10] SALA, Biografia..., p.275.
[11] GIUSSANI-OLTROCCHI, De vita..., p. 445.
[12] SALA, Biografia..., p. 279.
[13] GERDIL, Vita... Sauli, pp.64-65.
[14] SALA, Biografia..., p. 278.
[15] GERDIL, Vita... Sauli, p. 71, nota.
[16] Nome dado as catedrais na Itália.
[17] Nome dado a Biblioteca histórica de Milão.
[18] GERDIL, Vita... Sauli, pp. 101-102.
[19] CASTANO, Luigi. Gregorio XIV, Torino, 1957, pp. 34-35.
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