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Venerável Pe. Cesare Maria Barzaghi, “Apóstolo de Lodi”

31 de maio de 2014

Venerável Pe. Cesare Maria Barzaghi[1]
“Apóstolo de Lodi”[2]

ORAÇÃO AO VENERÁVEL PADRE CESARE MARIA BARZAGHI
“Deus misericordioso, que tantas maravilhas de bem operastes no Vosso Servo, Padre Cesar Maria Barzaghi, e tanto amor infundistes pelos doentes, os pobres, os aflitos, nós vos suplicamos de glorificá-lo na terra, concedendo-nos por sua intercessão a graça .... que com grande fé imploramos da vossa infinita bondade, pelos méritos de Jesus Cristo, Senhor nosso. Assim seja”. Rezar um Pai Nosso, Ave Maria e Glória.

Nascido em Borgo S. Rocco (Como) em 28 de março de 1863, de Giuseppe e Margherita Trombetta, teve a sorte de encontrar logo cedo homens excepcionais, além naturalmente de seus amantíssimos pais que, um dia após seu nascimento, o levaram à igreja para receber o batismo.
Na sua paróquia de origem, de São Bartolomeu, encontrou logo, de fato, um ótimo pároco, Monsenhor Giovanni Battista Scalabrini (1839-1905), depois bispo de Piacenza e fundador dos Missionários de São Carlos para os emigrantes italianos. Após ter completado como aluno externo os estudos elementares no Colégio Gallio dos Padres Somascos (que lembrará com gratidão por toda a vida), e recebido a crisma em 31 de maio de 1871, pelo Patriarca Paolo Ballerini, no ano de 1877 o próprio Scalabrini o endereçou para os seus estudos ginasiais ao barnabita Pe. Luigi Villoresi (1814-1883), que em Monza havia fundado um Seminário para clérigos pobres, e onde o jovem Barzagni amadureceu a sua vocação religiosa-sacerdotal.
No ano de 1878 entrou como postulante em Monza e prosseguiu no noviciado, onde ainda era recente a memória de religiosos como Pe. Fortunato Redolfi (1850) e Pe. Bartolomeo Canale (venerável). Emitiu a profissão em 22 de outubro de 1879 e logo depois foi destinado para cursar o quinto ano do ginásio junto ao Colégio São Francisco de Lodi, submetendo-se aos exames de idoneidade no Régio Ginásio Liceu Pietro Veri. Terminou os estudos do liceu no Colégio São Francisco em 1883.
E aqui um outro encontro decisivo: aquele com o seu mestre de estudantado, o Pe. Priamo Armani (1849-1912) – grande difusor da devoção a São Judas Tadeu – dele procurará com afinco introduzir a causa de canonização (na capela da Imaculada Conceição da Igreja de São Francisco em Lodi, para depositar os restos mortais do Padre Cesare Maria Tondini de’ Quarenghi, 1839-1907, foi recentemente removida a lápide comemorativa do Padre Armani que cobria a cavidade que acolhia os seus restos mortais).
Emitiu os votos solenes em Monza em 28 de outubro de 1883 – onde conheceu o Padre Carlo Maria Schilling (1835-1907, hoje venerável) e do qual foi um ardente admirador -, foi destinado para os estudos de Teologia em Roma, no Estudando Teológico dos Barnabitas, junto à Igreja paroquial de São Carlo ai Catinari, encontrando os cardeais Luigi Bilio (1826-1884) e Giuseppe Granniello (1826-1896).
O encontro com Leão XIII alimentou nele um fortíssimo apego e respeito pela Sé Papal e pelo Sumo Pontífice, enquanto o encontro com o Padre Alessandro Piantoni (lembre-se seu papel no Levante das Cinco Jornadas de Milão[3]) infundiu-lhe o amor de pátria, que saberá experimentar não apenas durante a Grande Guerra[4], mas também frente às suas responsabilidades civis (oferecendo a cara a tapas– se diria hoje – nas suas sucessivas tentativas de compor múltiplas divisões citadinas, ao ponto que o Prefeito de Lodi o indicará como “farol de luz que indica a caminho do porto, em um mar em tempestade”).
Ordenado sacerdote em Roma no dia 19 de julho de 1886 com apenas vinte e três anos, foi destinado ao Colégio São Francisco de Lodi, onde praticamente sempre permaneceu, exceto poucas e breves ausências: por exemplo, no ano de 1909 quando em São Bartolomeu dos Armênios reforçou a sua amizade com o Padre Giovannni Semeria, desenvolvendo não poucas tarefas; em 1906, quando foi nomeado Postulador da Causa de Beatificação do Servo de Deus, Carlos Bascapè, bispo de Novara; ou como Visitador da Lombardia, ou quando em agosto de 1916, participou no Capítulo Geral da Ordem reunido em Roma.

Um apostolado para todo campo
Compreendendo a importância para o apostolado de uma boa preparação cultural, além de ensinar religião no Colégio São Francisco, se inscreveu na Universidade de Turim, onde, em 1890 laureou-se em Letras com a tese sobre As epistolas de São Gregório Magno (590-604). No ano de 1891 passava para o ginásio superior onde começou a dar os primeiros ensaios de oratória; uma atividade que caracterizou toda a sua vida, sendo chamado a toda hora para discursos, pregações, sermões, etc., sobretudo em benefício das festas e solenidades da Congregação e dos seus santos.

A Grande Guerra
(1914-1918)
Desencadeada a Grande Guerra, o Colégio, vazio sem os alunos, foi transformado em hospital militar, no qual Padre Barzaghi tornou-se o capelão, embora desprovido de nomeação oficial, dando um altíssimo exemplo de dedicação: aproximando todos, sem preocupar-se com o perigo de infecção, amava repetir: “a alma não possui cólera”. Uma atividade que, porém, o colocou em evidência suscitando invejas e acusações de “invasão”, mas os párocos de Lodi firmemente tomaram as suas defesas.
Terminada a guerra e fechado o hospital militar, o Padre Barzaghi continuou a sua obra de assistência na portaria do Colégio São Francisco, recebendo doentes, pobres, desocupados; ajudava todos como podia: bilhetes de recomendação, remédios, pequenas caridades, uma palavra de consolo. Tornou-se assíduo frequentador do Hospital Maior de Lodi e, sobretudo, da sua prisão, que visitava frequentemente, recolhendo para os presos dinheiro e roupas e interessando-se por eles quando eram libertados; uma atividade preciosa em um tempo no qual esta forma de apostolado era pouco considerada e até vista com suspeita.

Esperando um milagre
Graças à sua intensa atividade exercida no Colégio (ensinou além de latim e italiano, também filosofia no Liceu), como no apostolado “mais o menos simples” que desenvolveu em casa e na igreja, nos hospitais e nas prisões, nas associações católicas e nas escolas estatais, à sua figura pouco a pouco se ampliava especialmente em todo Norte da Itália, graças também à sua notável e apreciada atividade de pregador que se alimentava das melhores fontes da tradição da Ordem: piedade e ciência (sob este último aspecto escreveu também um artigo para a revista da própria Ordem “Barnabiti Studi”, em março de 1937, com o título: A Correspondência do Venerável Carlos Bascapè com a Marquesa Constanza Colonna Sforza, como também diversos artigos para o jornal “il Cittadino”, por exemplo, a Crítica da crítica, Lodi, setembro de 1936; São Carlos Borromeu doutor da Igreja, Lodi, Agosto de 1937, etc., etc.).
Acometido em janeiro de 1937 por uma grave pneumonia, se curou continuando a sua incansável atividade, mas poucos anos depois, em 25 de março de 1941 foi hospitalizado no Hospital Maior. Sem mais esperanças de cura, retornou para o Colégio São Francisco, onde, em 04 de maio, faleceu. De sua cabeceira antes de morrer dirigiu aos seus clérigos as últimas palavras: “Recomendo-vos obediência à Igreja, obediência aos Superiores, obediência às Regras, estudo e piedade”. Aqui foram celebrados os seus funerais solenes que tiveram uma participação extraordinária de crentes e não crentes, preanuncio da sua perene lembrança em Lodi: da Pró Cultura à Casa do Estudante, de uma praça que leva o seu nome à dedicação de uma escola elementar, de uma lápide no Hospital Maior à colocada nas prisões, do Instituto técnico “Agostinho Bassi”, mas principalmente na capela do Colégio São Francisco que guarda seus restos mortais, principalmente lugar de conforto e de esperança para muitas almas.
Atribuem-lhe inumeráveis graças e se espera com confiança aquele milagre que permitirá declará-lo Beato. Quem receber graças por intercessão do Padre Barzaghi, escreva ao nosso blog (blogvocacionalbarnabita@gmail.com) ou para o Postulador Geral, no seguinte endereço: Piazza Benedetto Cairoli, 177. Cep: 00186. Roma- Itália.

Referência Bibliográfica: Eco dei Barnabiti (Revista Trimestral de Vida e de Apostolado da Ordem dos Clérigos Regulares de São Paolo – Barnabitas). Ano XCIII. N.3 – Setembro 2013, pp. 25-31.
Tradução: Jaciel Maria Baracho, religioso barnabita.
Revisão: Pe. Victor Maria Baderacchi, CRSP.



[1] Artigo traduzido da revista: Eco dei Barnabiti, 2013.
[2] Cidade italiana.
[3] Levante popular contra a dominação austríaca em 1848.
[4] Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
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