QUE VIDA RELIGIOSA QUEREMOS BUSCAR?
Queridos irmãos,
Saudações no Cristo que sempre nos chama!
Trazemos nas mãos e no coração a oferta de nossa vida, de todo nosso ser! Oferecemos a generosidade, o serviço e o cuidado misericordioso de nossos irmãos e irmãs em tantas situações da vida. Trazemos também nossas misérias, fraquezas, faltas e pecados, preocupações, sonhos, lutas e inquietações. Falamos das alegrias, mas também das inquietações, dores, tristezas, doenças e receios.
Que fazer? Que vida religiosa queremos buscar? Já não é possível uma Vida Religiosa fechada em si mesma, preocupada com suas dificuldades, fechada em seus problemas, acomodada em seu bem-estar. Uma vida religiosa sem perspectiva, que olha com desconfiança e medo para o futuro, para um mundo marcado por tantas mudanças, e por tanto sofrimento, em lugar de descobri-lo como “terreno” onde as sementes do Verbo podem germinar crescer e dar frutos. Não é possível uma Vida Religiosa centrada na realização e no querer pessoais, esquecendo que a verdadeira realização é consequência de uma vida plena em Cristo e na solidariedade e misericórdia com os demais.
Não é mais possível uma Vida Religiosa que esquece sua verdadeira identidade: ser sinal e profecia do Reino, tenda de Deus no meio dos homens, que se firma na segurança e no ter tudo, em primeiro plano. Não é possível uma Vida Religiosa “liberal”, onde tudo é permitido, onde nos acomodamos a um nível de vida superficial, sem profundidade, sem radicalidade, sem dar-nos conta de nossos envolvimentos, sem medir as consequências das escolhas que fazemos, de como ocupamos nosso tempo, sem um passo criterioso e firme no uso dos meios de comunicação social como a internet, TV, telefone celular e tantas outras “possibilidades” que vamos nos dando e que vão enfraquecendo o espírito e tornando nosso ser muito mais susceptível a tantos males e enfermidades que afetam o mundo de hoje.
Não é possível uma Vida Religiosa prepotente, hipócrita, tíbia, medíocre, autoritária, sem amor, sem sentido de pertença, sem a força do perdão, da acolhida e da comunhão; que não é sinal, que não aponta para um ideal maior. Mas é possível uma Vida Religiosa nova,
O Papa Bento XVI, em sua Carta Encíclica “Spe Salvi”, explica precisamente o fundamento e o mecanismo da esperança cristã. Convêm realizar uma revisão completa deste conceito, em muitos casos de pretextos, com o propósito de viver de acordo ao que professamos e colaborar para que outros vivam especialmente aqueles que têm a responsabilidade de formar outros religiosos ou a de animar com sua autoridade uma comunidade.
Exorta Bento XVI que a esperança tem seu fundamento na concepção da vida. “A vida não é um simples produto das leis e da casualidade da matéria, mas em tudo e, contemporaneamente, acima de tudo, há uma vontade pessoal, há um Espírito que em Jesus se revelou como Amor” (cf. Carta Encíclica “Spe Salvi”, nº 5).
A vida, portanto obedece a um desígnio divino e nós como pessoas fomos colocados neste mundo não como um luxo ou sob uma casualidade, mas sim como fruto de um desígnio divino e com uma missão muito precisa a cumprir. Esta missão, que em muitos casos se identifica com uma vocação na vida, que nasce do Pai - uma vocação à vida e a uma vida concebida “à imagem de Sua própria natureza” (cf. Sb 2, 23) - através de uma especial intenção criadora, se concretiza para a pessoa consagrada em um estilo de vida muito especial que vê a vida e atua com características bastante peculiares.
“A vida, no verdadeiro sentido, não a possui cada um em si próprio sozinho, nem mesmo por si só: ela é uma relação. E a vida na sua totalidade é relação com Aquele que é a fonte da vida. Se estivermos em relação com Aquele que não morre, que é a própria Vida e o próprio Amor, então estamos na vida. Então « vivemos »” (cf. Carta Encíclica “Spe Salvi”, nº 27).
A esperança não se improvisa; não se inventa se constrói pouco a pouco e é necessário convidá-la para ser uma companheira no caminho da vida. Pelo simples fato de se ter fé não significa que automaticamente se tenha esperança. É necessário trabalhar, lutar, colocar os meios adequados. A esperança é audaz, pois acredita que: “Para os homens é impossível, mas para Deus tudo é possível” (cf. Mt 19,26), e é consideravelmente transcendente: deseja e procura a vinda de Jesus Cristo, o triunfo do Reino de Deus, a plena união com Deus, a liberação de todo o cosmos (cf. Rm 8, 19-25).
Cultivar o otimismo ajuda também a manter uma higiene mental sã. Estar alegre com o que provoca paz e tranquilidade. A mente está mais aberta para receber novas ideias. Vivendo o otimismo é possível gerar uma corrente positiva que nos faz ver a vida com mais calma, serenidade, paz, tranquilidade, aberta a Deus e ao seu Espírito.
“Conhece-te, aceita-te e supera-te” é a sentença de Santo Agostinho, válida para todos os tempos. Se a pessoa consagrada deseja viver a esperança, deverá também confiar nela própria, nas faculdades que Deus lhe deu, como a qualquer homem, para levar adiante a missão encomendada.
Por: André Carlos M Carvalho















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